Talvez você, na hora de escolher seu candidato para as eleições no Brasil, já tenha procurado votar na pessoa que mais se alinha com suas ideias e posições políticas. Pode ser que você tenha respondido um questionário de um site de notícias para encontrar quais candidatos dão “match” politicamente com você. Eu mesmo já fiz isso inúmeras vezes. Aqui eu explico por que comecei a achar que, nos votos de legislativo (para deputados e vereadores), esse não é o jeito certo de votar.

Claro, não existe “jeito certo” de votar. Mas para esses cargos específicos, paradoxalmente, esse não é o método que vai fazer suas ideias serem mais representadas na câmara. E isso tem a ver com a forma como os votos para cargos legislativos são contados no Brasil.

Você deve ter ouvido falar que nos cargos do legislativo não vale o voto majoritário. Isto é, se existem 20 cargos para deputado federal, não basta pegar a lista dos 20 mais votados para saber quem vai ser eleito. A proposta para que seja assim surge vez ou outra no congresso e costuma ser chamada de “distritão”; entre cientistas políticos, é considerada a pior opção de sistema eleitoral. Fato é que hoje não é assim que os votos são contados no Brasil. E entender como eles são contados não é só uma chatice burocrática, mas é essencial para entender como escolher em quem votar.

No Brasil, o sistema de votação para o legislativo se chama voto proporcional. Nesse sistema, se você votar por exemplo na candidata a deputada Alice do partido X, o seu voto vai para o partido X, e não para Alice! Proporcionalmente com base no número de votos, o partido X recebe um certo número de vagas (cadeiras) para a câmara. O partido X pode, por exemplo, conseguir 5 vagas para a câmara por causa de seus votos. Então os 5 candidatos mais votados do partido X vão conseguir a cadeira de deputados. Alice só vai se tornar deputada se ela estiver nesse grupo de 5 pessoas.

Uma das consequências desse sistema é você pode estar ajudando o partido a conseguir mais cadeiras na câmara, mesmo que seu candidato não consiga (ou caso ele se eleja com folga). A ideia por trás disso é aumentar a representatividade, uma vez que os partidos são (a princípio) as entidades que representam ideias e correntes de pensamento político. Quer você concorde ou não com esse sistema, ele é assim no Brasil e por isso faz sentido considerá-lo na hora de votar.

Com base nisso, eu proponho um método simples para escolher o voto no legislativo.

Método

  1. Você escolhe em qual partido votar. Procure qual partido defende ideias mais próximas às suas. Não se baseie apenas no manifesto ou na lista de valores que tem no site do partido para fazer isso. Essa lista muitas vezes usa termos genéricos e não reflete o que os membros do partido pensam de fato. Procure entender, de forma geral, o que defendem os candidatos do partido nestas eleições, e como votaram durante seus mandatos passados.

  2. Escolha um candidato do partido que você escolheu. Aqui, os critérios são pessoais.

Claro, isso não vale para os outros cargos (presidente, senador, prefeito) onde ganha quem tiver a maioria dos votos. Não há nada de revolucionário ou genial nesse método. Ele é a consequência natural de entendermos como funcionam as eleições no Brasil. Queira ou não queira, seu voto vai estar ajudando um partido a conseguir mais representação na câmara. Melhor então que seja um partido alinhado com suas ideias. Eu vou votar assim nas próximas eleições, e convido você a pensar sobre fazer o mesmo.

Fábio